Por Dr. Pedro Stapleton-Garcia · Otorrinolaringologista, Lisboa

Quem tem sinusite quer perceber duas coisas: o que ajuda a resolver os sintomas e quando faz sentido marcar uma consulta. A resposta honesta é que não existe um tratamento único. A escolha depende da duração, da gravidade, dos achados clínicos e da causa provável dos sintomas.
Este artigo procura explicar, em linguagem prudente, como pode ser abordado um quadro de sinusite e em que momento uma avaliação por Otorrinolaringologia pode acrescentar valor. Não substitui a consulta médica.
A sinusite é uma inflamação dos seios perinasais — cavidades aéreas do osso que ficam à volta do nariz e dos olhos. Estes seios revestem-se de uma mucosa fina e comunicam com as fossas nasais. Quando essa comunicação fica comprometida por inflamação, edema, secreções ou alterações anatómicas, surge a sensação de pressão facial, nariz tapado, secreção espessa, alteração do olfacto e, por vezes, cefaleia.
Os termos mais frequentes na consulta são sinusite aguda (sintomas com menos de 4 semanas) e sinusite crónica (sintomas durante 12 semanas ou mais). Esta distinção não é apenas formal — orienta o tratamento adaptado à causa provável.
Na sinusite aguda, a inflamação está habitualmente associada a uma infecção respiratória recente, na maioria das vezes de origem viral. A evolução tende a ser autolimitada em vários dias a duas semanas. Em alguns casos, sobretudo quando há agravamento após melhoria inicial, dor facial intensa unilateral, febre persistente ou secreções claramente purulentas, pode haver suspeita de envolvimento bacteriano. Mesmo nesse contexto, a indicação para medicação dirigida é avaliada caso a caso.
A sinusite crónica envolve mecanismos diferentes. Aqui, a inflamação persiste durante meses e pode estar associada a obstrução nasal, pólipos, rinite alérgica, alterações anatómicas do nariz, irritação ambiental ou outros factores. O plano terapêutico tende a ser mais longo e individualizado, frequentemente combinando medidas não farmacológicas, medicação tópica e, quando indicado, avaliação endoscópica e imagiológica. Pode encontrar uma abordagem dedicada na página de sinusite crónica em Lisboa.
Em muitos quadros de sinusite, sobretudo nas formas agudas e ligeiras a moderadas, o primeiro passo passa por medidas gerais que ajudam a melhorar a respiração nasal e a drenagem dos seios perinasais:
Estas medidas não substituem a avaliação médica quando os sintomas são intensos ou prolongados, mas constituem uma base útil em vários cenários.
Em algumas situações, o tratamento sintomático isolado pode não ser suficiente. A decisão de introduzir medicação adicional depende da história clínica, do exame ORL, da duração dos sintomas e da resposta às medidas iniciais. Em termos gerais, pode ser considerada medicação dirigida quando:
Em todos estes contextos, o objectivo é orientar o tratamento de acordo com a causa provável, e não aplicar uma fórmula única a todos os doentes. A decisão sobre que tipo de medicação utilizar, durante quanto tempo e com que vigilância, é uma decisão clínica que deve ser feita em consulta.
Uma das ideias mais importantes a reter é que nem todos os casos de sinusite necessitam de antibiótico. A maior parte das sinusites agudas começa após uma infecção das vias respiratórias superiores e tem origem viral, com resolução espontânea ao longo de alguns dias. Nestes casos, o uso de antibióticos não acelera de forma significativa a recuperação e expõe a efeitos adversos e a risco de resistência bacteriana.
A decisão de utilizar antibiótico — quando indicada — depende de critérios clínicos específicos (duração, padrão de sintomas, sinais de envolvimento bacteriano, contexto do doente). Mesmo nesse contexto, a escolha e a duração do tratamento devem ser individualizadas. Este artigo não substitui essa avaliação e não recomenda iniciar antibiótico sem orientação médica.
Na sinusite crónica, o uso repetido de antibióticos como única estratégia tende a ter benefício limitado. O foco habitual é reduzir a inflamação subjacente, restabelecer a ventilação dos seios perinasais e tratar factores associados, como rinite ou alterações anatómicas.
A avaliação por otorrinolaringologista em Lisboa faz sentido sobretudo quando os sintomas persistem, são recorrentes, têm intensidade significativa ou já foram tratados várias vezes sem melhoria duradoura. Alguns sinais habituais que justificam uma consulta:
Na consulta, a observação inclui exame ORL completo e, quando clinicamente indicado, endoscopia nasal. Em situações seleccionadas, é solicitada tomografia computorizada dos seios perinasais. O plano terapêutico é depois definido com base no diagnóstico mais provável e na evolução dos sintomas.
Muitas vezes, o que parece uma sinusite é um quadro misto. A rinite alérgica pode dar sintomas semelhantes (congestão, espirros, secreção clara, prurido nasal) e contribui para a inflamação dos seios perinasais. A obstrução nasal persistente — por desvio do septo, hipertrofia dos cornetos ou outras causas — pode também dificultar a drenagem e tornar o problema recorrente.
Em alguns doentes, pigarro persistente, tosse posterior ou sensação de muco na garganta podem estar relacionados com refluxo laringofaríngeo, sobretudo quando coexistem com queixas nasais.
Esta sobreposição de mecanismos explica porque é importante uma avaliação dirigida em vez de aplicar o mesmo tratamento a todos os doentes com sintomas nasais persistentes.
A sinusite precisa sempre de antibiótico?
Não. A maioria das sinusites agudas é de origem viral e melhora com medidas gerais e tratamento sintomático. O antibiótico é considerado em situações específicas e a decisão deve ser clínica.
Quanto tempo demora a passar uma sinusite?
Numa sinusite aguda, os sintomas habitualmente melhoram em alguns dias a duas semanas. Sintomas que se prolongam para além disso, ou que recidivam pouco depois de terminar um tratamento, justificam avaliação por ORL.
Quando é que a sinusite passa a ser crónica?
Quando os sintomas duram 12 semanas ou mais. Nesses casos, a abordagem é diferente da sinusite aguda e geralmente exige estudo endoscópico e plano terapêutico individualizado.
Nariz entupido constante pode causar sinusite?
Pode contribuir. A obstrução nasal persistente, sobretudo se houver alterações anatómicas, prejudica a ventilação e a drenagem dos seios perinasais e pode favorecer episódios recorrentes.
Quando devo consultar um otorrinolaringologista?
Quando os sintomas são persistentes, recorrentes, intensos, associados a perda de olfacto importante, ou quando já houve várias tentativas de tratamento sem resolução clara. Também quando há suspeita de pólipos, rinite alérgica significativa ou alterações estruturais.
Se os sintomas persistem, regressam frequentemente ou se existe obstrução nasal importante, uma avaliação por Otorrinolaringologia pode ajudar a perceber a causa e orientar o tratamento mais adequado. A decisão sobre que tipo de medidas ou medicação faz sentido depende do quadro clínico de cada doente.
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